quinta-feira, julho 31, 2008

O Baile das Camélias na Sociedade União Sintrense II

O texto que publicamos hoje é um interessante contributo de Carlos Santos, para a história do tradicional baile Sintrense, que nos chegou em forma de comentário a um post sobre o Baile das Camélias, publicado aqui em 29 de Março de 2008.
"Queria aqui deixar uma pequena correcção sobre uma das razões que levaram á realização do Baile das Camélias:
-Estava-se na plenitude do Estado Novo, a Igreja era quase tão fundamentalista como quase o são hoje os mais assanhados muçulmanos, e a quaresma era um espaço de abstinência total no que dizia respeito a diversão, como sabem o dia de São José Carpinteiro, (19 de Março) diz o provérbio que na Quaresma só no dia de São José, se pode bater o pé! e um grupo de jovens desse tempo dos quais fazia parte o meu primo Rodrigo Soares, filho de um dos grandes dirigentes se não o maior, que passou por aquela casa (António Caetano dos Santos) organizaram uma festa onde estava representada a elite desse tempo, e apoiaram-se na influência das pessoas que viviam em Sintra e eram nomes de peso no panorama nacional, tais como as famílias Mello, Schindller, D. Maria José Praia, Vale Flor, Quinta do Saldanha, e outras, que colocaram as suas flores e dispensavam o seu pessoal jardineiro para o embelezamento do salão, palco, hall, e tudo quanto era espaço social não ficava sem uma camélia.Será da mais elementar justiça, e essa ainda está para ser feita pela SUS, dizer aqui que JOSÉ LIMA MAGALHÃES, nos anos 60 conseguiu com muitas lutas, alguns dissabores e dinheiro gasto do seu bolso, trazer à SOCIEDADE UNIÃO SINTRENSE, shows que naquele tempo não passavam por mais nenhuma colectividade, ou muitas casas de espectáculo do país.
Chegou a fazer-se uma estreia na Europa de uma companhia brasileira (BRASILIANA) que vinha contratada pelo empresário Vasco Morgado para actuar no Teatro Monumental, (já extinto) mas devido às excelentes relações entre o Sr. Vasco Morgado e a Direcção da altura onde pontificavam o Dr. Carlos Beja, e o Sr. José Magalhães, a estreia foi em Sintra na SUS, com um deslumbrante espectáculo de dança e canções onde pontificava a voz potente de Francisco Egídio. Não houve nenhum grande nome do panorama artístico nacional (daqueles tempos)que não tivesse por ali passado.
Os artistas tinham orgulho em vir ao Baile das Camélias, e os cartazes eram muitas vezes feito por artistas que vinham a titulo gracioso, pelo prazer de estarem presentes num baile tão famoso, onde a beleza da decoração do Salão estava em sintonia com os vestidos elegantes das senhoras, e dos melhores fatos apresentados pelos cavalheiros. A afluência era enorme, para se chegar do salão ao bar, chegava a levar-se mais que uma hora. Hoje isso não seria possível por quebra visível das mais elementares normas de segurança, com excesso de pessoas dentro de um espaço fechado, felizmente nunca sucedeu nada nem mesmo num dia em que faltou a Luz mais de duas horas e ninguém arredou pé e à luz de coutos (velas) dentro do maior civismo tudo se resolveu.
Estaríamos aqui a recordar óptimos tempos eternamente, mas participar foi bom, fico grato por isso."
Carlos Santos

Post relacionado:
-O Baile das Camélias na Sociedade União Sintrense-aqui

3 comentários:

NS disse...

Eu não vivi na época, mas parece-me um pouco exagero dizer que a Igreja era quase tão fundamentalista como os mais assanhados muçulmanos, já em pleno Século XX.

Dinis Guerreiro disse...

Da mesma altura destes fantásticos bailes havia a eleição da Miss 1ºDezembro. A minha mãe foi uma delas na década de 60 e gostava imenso de conseguir imagens/retratos. Acha que me pode ajudar?

obg
Dinis Guerreiro

pedro macieira disse...

Dinis Guerreiro,
Infelizmente não tenho mais documentação sobre os Bailes das Camélias do que aquela que publiquei, mas a Sociedade União Sintrense, colectividade ainda activa em Sintra,, deverá ter nos seus arquivos fotos do diversos bailes que organizou.
Um abraço