quarta-feira, agosto 30, 2017

S.Pedro de Penaferrim (reedição)

S.Pedro6733390573_bb8111cd5c_z.jpg
foto :Pormenor do Largo de D.Fernando II S.Pedro de Penaferrim


Cintra de Antigamente


in "Cintra Pinturesca ou Memória Descritiva das Villas de Cintra e Collares e seus arredores"/António A.R.Cunha/1905
(Acentuação e ortografia conforme o original)


Freguezia de Santa Maria

"Freguezia de Santa Maria tem a sua parochial no arrabalde * da villa, junto á serra e ao pé do castello.
Confina o seu districto com os das freguesias de S.Miguel ** do arrabalde, S.Martinho da villa, e com os das freguesias de Montelavar, S.Pedro de Penaferrim e Terrugem, no termo d'Este concelho.
(...)
É a sua população de 159 fogos e 600 habitantes.
(...)
Contém o seu districto quinze povos ou logares, denominados:
Arrabalde - 45 fogos
Calçada    - 36 fogos
Chão dos Meninos - 6 fogos
Rio do Porto -1 fogo
S.Sebastião- 4 fogos
Ribeira - 8 fogos
Cabriz - 28 fogos
Santo Amaro - 1 fogo
Ribafria - 1 fogo
Lourel - 10 fogos
Corrigos - 3 fogos
Ralhados - 5 fogos
Bajouca - 2 fogos
Maria Dias - 2 fogos
Coutinha Affonso - 7 fogos
                         -------------------
         Somma -   159
O numero medio dos nascidos em cada anno, nos últimos cinco, até 1820, foi de 19, dos mortos 9, e dos casamentos 4.
Não há n'esta freguesia rio algum de nome, ou caudaloso, sim alguns regatos por onde correm as aguas de varias fontes e ribeiro que rebentam de inverno pelas terras, e nenhum d'eles merece o nome de rio, por não conservarem a sua corrente de verão."


Notas da edição de 1905
*Hoje o Arrabalde, está compreendido nos limites da villa.
**Esta freguesia, hoje extincta, foi anexada á de Santa Maria,ficaram por isso os limites d'esta confinando com os das de S. Martinho,S.Pedro, Terrugem e Montelavar


Sintra de Hoje
http://www.freguesias.pt/freguesia.php?cod=111109


Reorganização administrativa do território (Lei n.º 22/2012, de 30 de Maio):


Novo Nome: União das freguesias de Sintra (Santa Maria e São Miguel, São Martinho e São Pedro de Penaferrim),

Freguesias agregadas: Santa Maria e S Miguel, São Martinho, São Pedro de Penaferrim

*Foto
Fonte de S.Pedro de Penaferrim de Raul Lino

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/9380354

terça-feira, agosto 29, 2017

Granja do Marquês/Sintra

CintrA.jpg
Foto do semanário Ilustrado "Branco e Negro" nº33/15 de Novembro de 1896


Na Wikipédia:

A Granja do Marquês situa-se no concelho de Sintra, freguesia de Pêro Pinheiro. Dá-se esse nome a todo o terreno onde está situada a Base Aérea n.º 1, o Museu do Ar e também à área envolvente da mesma base. Vestígios arqueológicos apontam para que essa área foi habitada desde os tempos do neolítico, passando pelos romanos e árabes. Pertenceu ao Marquês de Pombal quando esta área tomou o nome porque ainda hoje é conhecida. Segundo uma lenda, no século XVII apareceu neste local a Nossa Senhora da Nazaré. Junto ao palácio situa-se uma capela que foi concluída em 1701. Hoje a capela é dedicada à Nossa Senhora do Ar, padroeira dos aviadores em Portugal. Em dezembro de 1927 foi criada a Base Aérea de Sintra, mais tarde denominada Base Aérea nº. 1. Essa instalação ocupou esses terrenos, tornando-se na Base Aérea mais antiga de Portugal e onde milhares de pilotos militares portugueses foram instruídos na arte de voar.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Granja_do_Marqu%C3%AAs

segunda-feira, agosto 28, 2017

Da Capela de Alfredo Keil até ao Oceano

Foto  no Domingo, 27/08/2017
Da pequena capela da Vila Guida,  na Praia das Maçãs, construída por Alfredo Keil,  voltou ontem a sair,  a denominada procissão da Nossa Senhora da Praia -  iniciada por Keil em 1893.

"Os andores são levados até ao oceano onde ficam a aguardar o lançamento de pétalas de rosa vindas do céu" no folheto da Irmandade de Nossa Senhora da Praia
.Foto no Domingo, 27/08/2017
 Manifestação religiosa recuperada em 1984, conheceu o primeiro interregno após a morte de Alfredo Keil  em 1907, tendo sido retomada entre 1936 e 1944.
 A procissão terá sido inspirada pela lenda segundo a qual teria sido encontrada uma imagem de Nossa Senhora junto às rochas da Praia das Maçãs.
"O seu elegante chalet cuja construcção principiou em Janeiro de 1889 e estava terminada em 1890, é, ainda hoje, a mais bella construcção ali feita. Junto d´elle fez o sr. Keil erigir uma pequena capella, sob invocação da Nossa Senhora da Praia, que um anno depois fazia sagrar, e onde o Padre D. Matias del Campo resou a primeira missa, que o sr. Keil mandou celebrar por alma de seu pae. Desde 1883, e quasi sempre no ultimo domingo de Setembro, alli se tem realizado uma festa, á que concorrem muitos devotos dos logares limitrophes, vendendo-se, como recordação d’essa festividade, um registo com a imagem de Nossa Senhora da Praia
(..).
 
(...) 
Em 1897, todas as familias que no mez de Setembro se encontravam na Praia das Maçãs, combinaram dar aquella festa um maior brilho, e, auxiliadas por alguns cavalheiros de Collares, realizaram esses festejos com grandiosidade tal, que conseguiram attrahir alli para cima de cinco mil pessoas. 

Dessa festa o que mais se admirou foi o imponentissimo cirio de Collares á Praia. Sem o aspecto dos antigos cirios religiosos, mas com um cunho moderno, nélle se encorporaram approximadamente duzentos cavalleiros e mais de cem carros artisticamente enfeitados." 

De um texto de 1905 de António A.R. Cunha em "Cintra Pinturesca" 

* Ortografia conforme texto original 


Foto no Domingo, 27/08/2017
O Círio de Nossa Senhora da Praia que nasceu em 1897,por iniciativa de Alfredo Keil , tinha o seu inicio na Vila de Colares para as Azenhas do Mar. 




Foto no  Domingo, 27/08/2017

Círio da Praia das Maçãs

Também José Alfredo Azevedo, abordou o tema do Círio da Praia das Maçãs , reportando que nesse ano (1897)“Para além das cerimónias tradicionais meteu um galeão que “navegou” em terra puxado por duas juntas de bois, conduzido a banda dos Voluntários de Colares”mas em “1898 a coisa não correu da melhor maneira.Embora com três círios, de Colares,Sintra e Almoçageme,Alfredo Keil, por razões que não consegui apurar, não franqueou a sua capela.Logo os festeiros resolveram construir outra, em terreno oferecido pelo padre Matias del Campo, no outro lado do areal, na eminência conhecida por Ponta da vigia.Chegou a ser anunciado o início das obras, mas a capela que seria da mesma invocação, nunca foi construida.” 

sábado, agosto 26, 2017

Praia da Samarra

Foto em 4/05/2017

Uma visita à Praia da Samarra, e  aproveitando um texto  "Toponímia Sintrense -Praia da Samarra" de Júlio Cortez Fenandes, publicado no Blog Tudo de Novo a Ocidente.

TOPONÍMIA SINTRENSE - PRAIA DA SAMARRA
 (Via Blog Tudo de Novo a  Ocidente)
Praia da Samarra pitoresca e abrigada situa-se no litoral da freguesia de São João das Lampas, Município de Sintra adiante da aldeia de Cortezia,não muito distante da povoação da Assafora, uma das mais populosas da paróquia.
A praia forma espécie de ancoradouro natural abrigado e afastado do mar aberto;condições adequadas a desembarque dos corsários que durante séculos frequentaram este trecho da costa marítima de Portugal.
A origem do nome baseia-se na designação "samarra"  atribuída a  porção de mar que vai terra dentro num curso entre terreno declivoso de encosta , como é o caso.
Foto em 4/5/2017
de Júlio Cortez Fernandes


Foto em 4/05/2017 na Praia da Samarra

Prémio Ferreira de Castro atribuído a "Elogio da Infertilidade" de Cláudia Andrade Fernandes

O escritor  numa ilustração  de Martins da Costa

Fonte, texto da CMS:
O Prémio Ferreira de Castro de Ficção Narrativa, instituído pela Câmara Municipal de Sintra, para estimular a criação literária, foi atribuído, por unanimidade, à colectânea de contos “Elogio da Infertilidade”, da autoria de Cláudia Andrade Fernandes.
O júri, constituído por Annabela Rita, em representação da Associação Portuguesa de Escritores, Liberto Cruz, pela Associação Portuguesa dos Críticos Literários, e Ricardo António Alves, designado pela Câmara Municipal de Sintra, baseou-se na qualidade da escrita e inovação formal revelada pela autora ao longo das composições.
Foram igualmente distinguidos com Menção Honrosa, também por unanimidade, os originais “Amazona Portuguesa” (romance), de Mário Silva Carvalho; “Como Desmontar uma Nuvem” (contos), de José Eduardo Mendonça Umbelino Filho; “Danação” (romance), de Luís Pimentel; e “O Privilégio dos Mortos” (romance), de Whisner Fraga.
O Prémio tem um valor pecuniário de cinco mil euros e contempla a edição da obra premiada pela Câmara Municipal de Sintra."
Na sua décima edição, o Prémio Ferreira de Castro de Ficção Narrativa já distinguiu originais inéditos de Guida Fonseca, Diálogo do Vento e do Mar; Sérgio Luís de Carvalho, Anno Domini 1348; Serafim Ferreira,  Elogio do Cavaleiro;  Risoleta Pedro Natálio, A Criança Suspensa; Rui da Costa Lopes, A Siberiana; Teresa Mascarenhas, Um Triângulo no Infinito;  e Ascêncio de Freitas, A Noite dos Caranguejos.

Fonte:

quinta-feira, agosto 24, 2017

Post solidário (com actualização)

O Castelo dos Mouros - vai estar iluminado a vermelho e amarelo, as cores da Catalunha, nos próximos 15 dias. Cada dia representa uma das vítimas mortais dos ataques em Barcelona e Cambrils.
Neblinas & nevoeiros, hoje e ontem não permitiram a foto em melhores condições, mas aqui fica o nosso registo solidário - desta vez  na Catalunha.

Mais tarde durante a noite, as fotos possiveis sem nevoeiro:

Foto na Ribeira de Sintra
Fotos em 25/08/2017

Pássaros da minha rua II

  Na sequência de post anterior - publicamos hoje mais umas fotos do enorme bando de pardais(?), que moram mesmo ao nosso lado.  Fotos  em 13/08/2017
Este ano um enorme bando de pardais veio para o Mucifal/Sintra, passar o Verão. Barulhentos e muito frenéticos, só os figos os fazem parar...
As fotos possiveis dos "invasores"  veraneantes.
 Local de eleição do bando, o canavial
Fotos no Mucifal/Colares

http://riodasmacas.blogspot.pt/2017/08/passaros-da-minha-rua.html

quarta-feira, agosto 23, 2017

Sobre Casal da Roçada e Quinta do Boialvo

Stephen Brody * lançou-me em 2008, o desafio de encontrar duas casas de Sintra que ele tinha pintado há alguns anos e que estariam em risco de desaparecerem. Recorrendo a quem sabe mais de Sintra do que eu (Emilia Reis),consegui fazer algumas fotos. Entretanto a participação de leitores no post, enriqueceram a informação que tinha obtido na altura - razão para esta nova publicação actualizada. Casal da Roçada, aguarela de Stephen Brody
Foto actual(2008)
 O local é o Lourel em Sintra, as aguarelas pertencem ao Casal da Roçada, ou "Roussadas" como denomina José Alfredo Azevedo em”Bairros de Sintra” e que na altura pertencia ao Dr.Vicente Monteiro, e a Quinta do Boyalvo. A edificação apalaçada da primeira, está em bom estado de conservação, já a segunda, consequência de um incêndio, o imóvel encontra-se parcialmente destruído.

Casal da Roçada, aguarela de Stephen Brody


Foto actual (2008)

Quinta do Boyalvo, aguarela de Stephen Brody


Foto actual (2008)

"A casa do Casal da Roçada foi mandada construir no início do séc.XX pelo Dr. Vicente Monteiro, que foi um ilustre advogado e o primeiro bastonário da Ordem dos Advogados. Foi construida por etapas, com adição sucessiva de vários corpos, o que lhe confere um caracter "orgânico".
Manteve-se na descendência do Dr. Vicente Monteiro até meados dos anos 80 tendo sido então adquirida pelo actual proprietário, Eng. Adriano Lucas, que procedeu a obras de reabilitação."
De um leitor do blog
Foto actual(2008)

"O Casal da Roçada tinha uma Capela ou Oratório público com o Santíssimo Sacramento em sacrário, conforme licença dada pelo Cardeal Patriarca em 2 de Agosto de 1915.


"A Quinta ou Casal de Boialvo tinha uma Capela ou Ermida, cujo campanário ainda se vislumbra nas fotografias, dedicada à Santíssima Trindade,tem a curiosidade de ter sido uma das últimas ermidas públicas do Patriarcado de Lisboa a ser benzida antes do Terramoto de 1 de Novembro de 1755, visto que foi fundada por Aires da Cruz, assistente em Lisboa, que ali mandara fazer um Oratório, «mas atendendo à utilidade de ter naquele distrito uma ermida com porta pública», de que teve licença de erecção em 12 de Agosto de 1755 e sua licença de culto por Provisão de 3 de Setembro de 1755.

Foi restaurada pelo Sr. Manuel Rodrigues Ferreira, dono desta Capela e Casal, sendo benzida em 22 de Junho de 1878 pelo pároco de Santa Maria e São Miguel de Sintra, Pe. José dos Santos Ala, com a celebração de missa pela alma do Sr. Estanislau José Rodrigues Ferreira, falecido fazia neste dia meio ano, irmão do dito proprietário."
Rui Manuel Mesquita Mendes

*Stephen Brody, autor de diversas aguarelas que o “Rio das Maçãs” tem publicado ilustrando recantos Sintrenses 

As aguarelas que o “Rio das Maçãs” tem publicado ilustrando recantos Sintrenses

Créditos
Stephen Brody
Emilia Reis
Rui Manuel Mesquita Mendes
Leitor não identificado

Post anterior(2008):
http://riodasmacas.blogspot.pt/2008/04/aguarelas-de-sintra-de-stephen-brody.html

terça-feira, agosto 22, 2017

Vilar de Mouros a "mãe" de todos os festivais de Verão

"Em Portugal tudo começou em Vilar de Mouros – no que respeita a festivais de Verão, entenda-se. Depois da primeira edição em que o rock foi personagem principal e onde o cartaz apresentava também bandas estrangeiras, em 1971, chamaram-lhe, muito apropriadamente “Woodstock português”. Dois anos depois do histórico festival americano, o Portugal do Estado Novo via uma aldeia do Alto Minho encher-se com uma geração que, livre nos comportamentos, desinibida quanto à bolorenta moralidade vigente e unida em volta da música, prenunciava o fim inevitável da ditadura.(...) "

https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-regresso-do-festival-onde-tudo-comecou-1742230

BlogueJornalViladosMouros1971 Imprensa da época,  visada pela censura Foto@riodasmacas

O primeiro Festival de Verão em Portugal

Decorria o ano de 1971, no Portugal cinzento da União Nacional/Acção Nacional Popular, (partido único), da Legião Portuguesa e da PIDE/DGS, quando pela persistência e teimosia de um médico, Dr.António Barge,  aconteceu um festival de Música em Vilar de Mouros- na altura em que o regime  da época considerava que mais de duas pessoas era um ajuntamento e por isso proibido...

Porque a revista Sábado publicou o relatório integral feito pela PIDE/DGS sobre o Festival Vilar de Mouros de 1971, que trouxe dois nomes internacionais, Elton John e Manfred Mann's Earth Band; e várias bandas e músicos portugueses, como os Quarteto 1111 (de José Cid), Amália Rodrigues, os Sindikato (de Jorge Palma), ou os angolanos Duo Ouro Negro - e também porque foi precisamente em Agosto de 1971, cerca de 18 mil  jovens, estiveram presentes nesse festival, que talvez tenha ajudado a alterar algumas mentalidades tacanhas, que tinham medo de "ajuntamentos" e que as pessoas tivessem a capacidade de ter opiniões e expressá-las.


vilardemouros1971Blogue

Foto @riodasmacas

 Relatório da PIDE/DGS sobre o Festival Vilar de Mouros de 1971
‹‹Informação nº 226-C.I.(I)
Distribuição Presidência do Conselho, Ministério do interior, Ministério da Educação Nacional
Assunto: Festival de música “Pop” em Vilar de Mouros
A seguir se transcreve o texto de uma informação redigida por um nosso elemento informativo que assistiu ao “festival” em questão, que teve lugar nos dias 7 e 8 do corrente, a qual se reproduz na íntegra, para não alterar os detalhes que foram alvo do seu espírito de observação:
“Dias antes do festival, foram distribuídos, nas estradas do País e nas estradas espanholas de passagem de França para Portugal, panfletos pedindo aos automobilistas que dessem boleias aos indivíduos que iam ver o festival.
No 1º dia, o espectáculo começou às 18h00 e prolongou-se até às 4 da manhã.
Ao anoitecer, o organizador, um tal Barge, anunciou que tinham sido vendidos 20 mil bilhetes (a 50$00 cada).
Esperavam vender 50 mil bilhetes para cobrir as despesas, que seriam aproximadamente a 2.500 contos.
Diziam que tiveram de mandar vir o conjunto Manfred Mann de Inglaterra, mas parece que estava no Algarve, e por isso, a despesa com eles não foi tão grande como parecia.
Um dos cantores, Elton John, causou desde o começo má impressão, com os seus modos soberbos e as suas exigências: carro de luxo para as deslocações, quartos de luxo para os acompanhantes e guarda-costas, etc.
O recinto do festival era uma clareira cercada de eucaliptos, com um taipal à volta e uma grade de arame do lado do ribeiro.
Na noite de 7 estavam muitos milhares de pessoas e muita gente dormiu ali mesmo, embrulhada em cobertores e na maior promiscuidade.
Entre outros havia:
crianças de olhar parado indiferentes a tudo
grupos de homens, de mão na mão, a dançar de roda
um rapaz deitado, com as calças abaixadas no trazeiro
um sujeito tão drogado que teve de ser levado em braços, com rigidez nos músculos
relações sexuais entre 2 pares, todos debaixo do mesmo cobertor na zona mais iluminada
sujeitos que corriam aos gritos para todos os lados
bichas enormes a comprar laranjadas e esperando a vez nas retretes (havia 7 ou 8 provisórias) mas apesar disso, houve quem se aliviasse no recinto do espectáculo.
porcaria de todo o género no chão (restos de comida, lama, urina) e pessoas deitadas nas proximidades
Viam-se algumas bandeiras. Uma vermelha com uma mão amarela aberta no meio (um dos símbolos usados na América pelos anarquistas); outra branca, com a inscrição “somos do Porto” com raios a vermelho e uma estrela preta.
A população da aldeia, e de toda a região, até Viana do Castelo, a uns 30 km de distância, estava revoltada contra os “cabeludos” e alguns até gritavam de longe ao passar “vai trabalhar”. Foram vistos alguns a comer com as mãos e a limparem os dedos à cabeleira.
Viam-se cenas indecentes na via pública, atrás dos arbustos e à beira da estrada.
Em Viana do Castelo dizia-se que os “hippies” tinham comprado agulhas e seringas nas farmácias da cidade.
Havia muitos estudantes de Coimbra, e outros que talvez fossem de Lisboa ou do Porto. Alguns passaram a noite em Viana do Castelo em pensões, e viam-se alguns de muito mau aspecto, parece que vindos de Lisboa, que ficaram numa pensão.
Houve gritos de Angola é... (qualquer coisa) durante a actuação do conjunto Manfred Mann (de que faz parte um comunista declarado, crê-se que chamado Hugg).
Fora do recinto, junto do rio e de uma capela, havia muitas tendas montadas e gente a dormir encostada a árvores ou muros e embrulhada em cobertores.
Houve grande confusão junto às portas de entrada.
Havia quatro bilheteiras em funcionamento permanente e muito trânsito.
Toda aquela multidão de famintos, sem recursos para adquirir géneros alimenticios indispensáveis, como se de uma praga de gafanhotos se tratasse, se lançou sobre as hortas próximas colhendo batatas e outros produtos hortícolas, causando assim, grandes contrariedades aos seus proprietários, muitos deles de débeis recursos económicos.
26-8-71››
vilar-de-mouros_71_rb-500x337
Foto e relatório da PIDE/DGS retirado  daqui "Requiem para um Festival
Seis dias de lição a reter. A Música viveu entre mortos, porque poucos foram os que a viveram. Vilar de Mouros morreu e com ele a esperança de poder viver o nosso tempo..."
Jornal "Disco Música &  Moda" nº14 de 15 de Agosto de 1971
VilardeMourosPCblog.jpg
*Foto inédita  do palco de Vilar de Mouros 1971 «PoP Five Music Incorporated(?)»

"O desaire financeiro parece inevitável
Madrugada alta, conclui-se a maratona de música moderna. No próximo fim-de-semana. a fechar o festival, estarão, Amália e Ouro Negro.
Será assim , então a altura de fazer contas. O desaire financeiro parece  tão inevitável como comprometido o futuro do festival. Pelo menos é essa a opinião de amigos chegados da familia Barge.
E, se assim for, é pena.  Porque a teimosia o sonho com algo de quixotesco de um homem permitiram, em Vilar de Mouros, provar muita coisa importante. Em dois fins-de-semana, uma aldeia pitoresca e pobre. adormecida à beira do Coura, transformou-se em símbolo. Não o esquecerá quem o viveu: os jovens que , já ontem, noite adiante, partiam,e a aldeia que voltará à enxada e ao arado."
"Diário Popular" de 9 de Agosto de 1971
vilardeMourosblog.jpg
Foto publicada no Jornal de Notícias em Agosto de 1971

*Notas adicionais:
Conjuntos musicais que estiveram presentes, além de Elton John e Manfred Mann:
-"1111" com José Cid, Moniz Pereira, Tó Zé Brito e Michel
-"Chinchilas" com Felipe Mendes
-"Pop Five Music Incorporated" com Miguel Graça Moura
-"Psico"
-"Sindicato"
-"Bridge"
-"Pentágono"
-"Objectivo" com  Zé Nabo (baixo) que segundo o critico musical do jornal "Disco Música &  Moda" de Agosto de 1971, regista  "Uma referência para o Zé Nabo, que Manfred Mann considerou ser sensacional e que deu show".

Post relacionado sobre o Festival de 1971 de Vilar dos Mouros:
http://riodasmacas.blogspot.pt/2013/08/porque-hoje-e-sabado.html

segunda-feira, agosto 21, 2017

Ciclismo nas Festas de Nafarros


57º Circuito de Nafarros
A tarde  de Ciclismo, em Nafarros, Sintra, com a 57ª edição do Circuito promovido pela UDC Nafarros, com apoio e patrocínio da União de Freguesias de Sintra..

Fotos na passagem pelo Mucifal

Prova de ciclismo das mais antigas de Portugal, que acontece sempre dias depois da Volta a Portugal terminar.


domingo, agosto 20, 2017

Do Penedo para Colares

“O vale de Colares é para mim uma fonte de perene distracção. Descobri muitas veredas, que através de matas e castanheiros e pomares que nos levam a sítios acidentados e verdejantes, onde os loureiros bravos e as moitas de limoeiros pendem livremente sobre a margem pedregosa de um pequeno rio, e deixam cair na corrente as suas flores e os seus frutos.(...)”

In "Correspondência de William Beckford 1787"

colaresb
Na descida do Penedo para Colares-Foto do Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa- autor não identificado

ColaresPenedo
Foto actual do mesmo local (Do Penedo para Colares)

O Penedo visto já de Colares, com um tecto do nevoeiro tradicional no mês de Agosto

sábado, agosto 19, 2017

Sobre as origens das Festas do Espírito Santo na Aldeia do Penedo

 “Penedo é o nome do lugar onde a memória dos homens não consente que, ontem, fosse o último dia, nem que, hoje, se acabe o tempo”.
Maria Micaela Soares 
Origem das Festas do Espírito Santo

"A origem remonta às celebrações religiosas realizadas em Portugal a partir do século XIV, nas quais a terceira pessoa da Santíssima Trindade era festejada com banquetes colectivos designados de Bodo aos Pobres com distribuição de comida e esmolas.

Assunto muito abordado pelo professor Agostinho da Silva. Há referências históricas que indicam que foi inicialmente instituída, em 1321, pelo convento franciscano de Alenquer sob protecção da Rainha Santa Isabel de Portugal e Aragão.

Essas celebrações aconteciam cinquenta dias após a Páscoa, comemorando o dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu do céu sobre os apóstolos de Cristo sob a forma de línguas como de fogo, segundo conta o Novo Testamento. Desde seus primórdios, os festejos do Divino, realizados na época das primeiras colheitas no calendário agrícola do hemisfério norte, são marcados pela esperança na chegada de uma nova era para o mundo dos homens, com igualdade, prosperidade e abundância para todos.

A devoção ao Divino encontrou um solo fértil para florescer nas colónias portuguesas, especialmente no arquipélago dos Açores. De lá, espalhou-se para outras áreas colonizadas por açorianos, como a Nova Inglaterra, nos Estados Unidos da América, e diversas partes do Brasil."

*De um texto da Alagamares.


Posts relacionados:
http://riodasmacas.blogspot.pt/2017/08/a-aldeia-do-penedo-e-sua-historia.html
http://riodasmacas.blogspot.pt/2017/08/aldeia-do-penedo-portefolio.html
http://riodasmacas.blogspot.pt/2017/08/o-refugio-de-alvaro-cunhal-na-aldeia-do.html
http://riodasmacas.blogspot.pt/2017/08/o-dia-mundial-da-fotografia-com-aldeia.html

O dia Mundial da Fotografia com a Aldeia do Penedo

O Dia Mundial da Fotografia comemora-se anualmente a 19 de Agosto.

 A celebração da data tem origem na invenção do daguerreótipo, um processo fotográfico desenvolvido por Louis Daguerre em 1837. Mais tarde, em Janeiro de 1839, a Academia Francesa de Ciências anunciou a invenção do daguerreótipo e a 19 de Agosto do mesmo ano o Governo francês considerou a invenção de Daguerre como um presente "grátis para o mundo". Outro processo fotográfico - o calótipo, inventado também em 1839 por William Fox Talbot, fez com que o ano de 1839 fosse considerado o ano da invenção da fotografia.

Fotos de 1980 e 1981

 O Rio das Maçãs, tem agora oportunidade mantendo a temática "Aldeia do Penedo", publicar pela primeira vez  as provas fotográficas (provas de contacto), de filmes  a preto e branco de 135mm de duas reportagens que fizemos em 1980 e 1981,  nas festas anuais do Espírito Santo - a tradição era utilizar um touro/boi, e fazê-lo percorrer a aldeia numa tourada à corda e após, com um estoque era abatido, e esquartejado em plena via pública, (junto ao chafariz), com grande assistência. A carne do animal era cozinhada e oferecida num almoço aos mais necessitados, no dia seguinte.

Uns anos após o 25 de Abril de 1974, com alteração de legislação, a tradição terminou, pois deixou de ser permitido o abate de animais fora dos matadouros, (via pública). Aconteceu assim um avanço civilizacional, quebrando-se a tal tradição.

Mas ficaram os registos desses momentos, daí a importância da fotografia, memórias activas de tempos passados.


*Gérard Castello Lopes (fotógrafo):
(Vichy1925 — Paris12 de fevereiro de 2011
"Uma boa fotografia é a que desencadeia em mim, para além da correcção geométrico-formal da composição, uma emoção qualquer".

quinta-feira, agosto 17, 2017

A Aldeia do Penedo e a sua história


Talvez a mais tradicional aldeia de Sintra, situada estratégicamente sobre um alto esporão em plena serra . Além do casario e do património edificado, tem história, tradições e gentes- estas são de certeza os aspectos mais importantes da Aldeia do Penedo.


O Penedo que nos anos 70, já teve um Mosteiro da Igreja Ortodoxa Grega, talvez por ser um local aconselhável para meditação, tem   também no seu histórico uns festejos populares ,dos mais importantes realizados no Concelho de Sintra, conhecidos pela festas em Louvor do Divino Espírito Santo.(1)

Aldeia do Penedo 1981
 Destas festas fazia parte uma largada de um touro á corda , que posteriormente era abatido em público, junto ao fontanário, sendo a sua carne utilizada para um bodo aos pobres da região. No dia seguinte a carne era cozinhada em grande panelas de cobre. Este tipo de eventos devido á legislação actual , e também com a atitude mais sensível das populações sobre este tipo de diversões, sofreu grandes alterações incluindo obviamente a proibição da morte do touro em público .

Local onde nos anos 70, existiu o Mosteiro da Igreja Ortodoxa Grega.

*Uns anos após o 25 de Abril de 1974, com alteração de legislação, a tradição terminou, pois deixou de ser permitido o abate de animais fora dos matadouros, (via pública). Aconteceu assim um avanço civilizacional, quebrando-se a tal tradição.

http://riodasmacas.blogspot.pt/2017/08/aldeia-do-penedo-portefolio.html





(1)*Nota:
Esta festa como as várias que se realizam em Portugal, Açores,Tomar ,Alenquer por ex.tem como origem o culto do Espírito Santo instituído no séc. XIV. A devoção ao Espírito Santo foi criada pela Rainha Santa Isabel.
- Ou segundo a página pessoal de João Vasconcelos Pais
"As festas de Espírito Santo têm um componente importante de humildade e igualdade (que se pode encontrar, tão remotamente, nas saturnais romanas), próprias das ideologias milenaristas e utopistas, de novo império, retomadas por uma espécie de “filosofia nacional”, de destino privilegiado, no discurso sobre o quinto Império do Padre António Vieira e até, tão recentemente, por saudosistas como Agostinho da Silva ou António Quadros"
Fotos:PedroMacieira